Outra
noite fria. A mesma companhia. Seus longos cabelos vermelhos espalhados pela
cama em um perfeito contraste com os lençóis brancos. Nua, com a carne a vista,
perfeita, dormia tranqüila em meus braços. Não queríamos fidelidade, não
pedíamos mais que o fogo de uma noite, o mesmo fogo que beijara seus cabelos há
tanto tempo atrás. Éramos felizes apenas nos aquecendo em algumas noites frias,
nossa liberdade nos unia.
A luz da lua invadia o
quarto pela janela e um brilho alvo e tímido iluminava levemente o recinto,
podia-se ver a paz e o caos aninhados em perfeita harmonia. Uma escrivaninha
com alguns poemas tortos, um guarda-roupa marrom com uma das portas abertas, um
espelho ao lado da cama, cama que por sua vez estava ocupada por dois corpos; alvos,
nus e encaixados como se fossem duas partes de um todo. A cena foi perturbada
por um bater de asas negras, um corvo que bicava a janela e trazia sombras ao
local, que destoava a sintonia e criava trevas aterrorizantes nas paredes.
Yagami se levantou ao
ouvir as bicadas, olhou em volta e demorou um pouco para encontrar a origem do
som. Levantou-se e se dirigiu à janela, o corvo entrou, sobrevoou o local e
deixou cair uma carta em suas mãos, após entregar a mensagem o animal
simplesmente se desfez em sombras. O Fae encarou o papel por um tempo, ainda nu
sentou-se na cama, Valerie acordou com o barulho e viu seu amigo sentado
encarando o envelope. Era feito de papel branco, de qualidade, assinado e
timbrado, selado com vela como se fazia nos tempos médios.
- O que é isso? – A vampira indagou.
- Ainda não sei ruiva, um corvo adentrou
o quarto, deixou isso cair e se desfez.
- Não vai abrir? – Ela disse curiosa.
- Não sei se deveria – Ele respondeu
temeroso
- Vamos, o que pode ter de mal, talvez
seja importante. – Ela incentivou
Yagami desfez o selo e leu
a carta:
“Querido irmão, há quanto tempo não nos
vemos? Soube que o destino nos aproximou outra vez, tantos lugares no mundo e
você vêm trabalhar para meu maior aliado. Já ouviu falar no bruxo das flores?
Ou no Rei serpente? Talvez me conheça como o Lord Negro. São tantas as minhas
alcunhas que me perco. Prefiro que me chame apenas de Algustus, ou se sentir a
vontade, me chame de irmão.
Perdoe-me irmão. Eu devia
ter ido atrás de você, mas, dentro daquele maldito convento você era
inatingível, jamais deixariam eu me aproximar de você. Eu sempre fui a ovelha
negra. Você se lembra, do quanto me apoiava? Do quanto sempre esteve do meu
lado. Obrigado irmão. Eu venci, eu provei que todos estavam errados, eu sou
rei, eu poderia destruir todos eles se quisesse. Em breve, meu reino alargará
suas fronteiras e meu nome estará para sempre escrito na história. Eu consegui.
Eu vim, eu vi, eu venci. E quero que você faça parte disso.
Precisamos recuperar todo
o tempo perdido, preciso ter você ao meu lado, preciso da minha família,
daquele que carrega o nome Lynerin comigo. Venha me encontrar em Dragonsreach
amanhã para o jantar. Traga sua adorável companhia.
Att: Algustus Lynerin Willian Harris Stuart, Rei das Terras negras e seu irmão”
Ao
findar a leitura, escorriam lágrimas como um rio dos olhos de Yagami, lágrimas
de alegria, quente e claras. Finalmente, depois de tanto tempo ele havia
encontrado, seu irmão que há tanto tempo atrás ele havia tido de deixar, ainda
guardava na mente a imagem de quando fora arrastado para dentro do castelo da
ordem dos Reais Cavaleiros, de como segurava a mão de seu irmão e de como não
queria soltar. Dos olhos tristonhos do garoto. E agora finalmente ele achou.
Eles iram se reencontrar. E seu irmão havia conseguido. Provou para todos que
não era a vergonha da família, que todo seu potencial só precisava ser
trabalhado. Ele estava Feliz. Beijou Valerie, e a abraçou.
- Você precisa de um vestido, vamos a um jantar amanhã. Encontrei meu irmão.
Encontrei minha família. – Ele disse com um largo sorriso
A ruiva sorriu e não teve
como recusar, embora não fosse namorada nem nada dele, nutria certa afeição e
sentimento por Yagami e não viu nenhum mal em acompanhá-lo. Eles voltaram a
dormir. No dia seguinte compraram roupas finas, e se preparam ansiosamente.
Foram recebidos para o
jantar pela governanta, uma simpática loirinha com sorriso insano que vestia um
terninho xadrez e falava engraçado, um grande banquete os esperava no salão
principal. Antes de se sentarem Algustus se levantou de seu lugar e deu um
longo e emocionante abraço em seu irmão. Sua namorada, May os cumprimentou de
forma cortês e se acomodou na mesa. Eles jantaram fartamente. E depois
conversaram sobre infindas coisas, lembraram de histórias de infância e de como
se divertiam, pareciam nunca terem se separado eram irmãos em perfeita
harmonia. Algustus levou Yagami para dar uma volta por seu jardim e depois de
algum tempo não puderam evitar falar na guerra, Algustus disse que elaborara um
plano que poria a resistência em vantagem. Yagami disse que faria de tudo para
deter aquela matança, a guerra só trazia fome, miséria e desgraça. Os olhares se desencontraram e então Algustus
fez um convite:
- Irmão. Quero te mostrar uma coisa,
gostaria que você e sua dama me acompanhassem até um local.
- Claro. Pode me dizer o que é? – Yagami
perguntou
- Confio em você o suficiente para lhe
mostrar meu plano, minha arma secreta para dar fim a essa guerra. – Algustus
respondeu sorrindo
- Sério? Você vai me dar essa honra? --
Os olhos de Yagami brilharam --
- Mais que isso, você vai me ajudar,
preciso de você meu irmão, junto nós traremos paz a essa terra. – Algustus o
abraçou.
- Sim. Vamos fazer isso juntos. – Yagami
concordou sorrindo
Eles
seguiram até um ponto distante, após atravessarem uma grande caverna saíram
dentro numa espécie de clareira, em certo ponto a caverna se abria em um grande
salão. Uma estrutura sem nenhum teto, que permitia a entrada da luz da lua e
das estrelas, ampla e circular o local abrigava vários apetrechos mágicos. Velas
dispostas ordenadamente, pedras da alma em pontos distantes. Um imenso cristal
mágico no centro canalizava a luz da lua, os itens do apocalipse conseguidos em
missões anteriores estavam todos ali. O machado de Isgramor; os Escritos de
Shalidor; A Katopris; A pedra de Bereziah ; a pedra de Akansh e os dois olhos
de um primordial. Era um ritual,
organizado linhas se estendiam pelo chão criando desenhos complexos, textos em
enoquiano e latim cobriam os espaços entre os desenhos. Tudo preparado para ser
executado. Tudo pronto para fazer o necessário pela paz.
Nenhum comentário:
Postar um comentário